“Quis escrever personagens humanas, falhadas e reais”: Fábio Teixeira fala sobre o romance Depois do Verão
Ao longo do livro, os leitores mergulham numa história marcada por tráfico de droga, manipulação, violência, relações tóxicas e traumas profundos. Ainda assim, o coração do romance está na relação construída entre Rúben e Guilherme, dois jovens completamente diferentes mas unidos pela dor e pelas circunstâncias.
“O Rúben e o Guilherme são dois miúdos emocionalmente perdidos. Um vive consumido pelo luto e pela necessidade de encontrar respostas. O outro vive esmagado pela culpa e pelo medo do passado. O que me interessava era precisamente mostrar que o amor não resolve tudo magicamente, mas pode ser o ponto de partida para alguém começar finalmente a enfrentar aquilo de que fugiu a vida inteira.”
Segundo o autor, um dos grandes objetivos da narrativa foi afastar-se de personagens “totalmente boas” ou “totalmente más”, algo que considera pouco verdadeiro na vida real.
“O André, a Eva, o próprio Guilherme… todos fizeram escolhas erradas. Mas eu nunca quis escrever apenas vilões. As pessoas são mais complexas do que isso. Há sempre um contexto, uma dor, manipulação, medo, necessidade de pertença. Isso não apaga os erros, mas torna as personagens humanas.”
A morte de Carlos, primo de Rúben, é o motor inicial da narrativa e acaba por influenciar todos os acontecimentos do livro. Para Fábio Teixeira, essa ausência é precisamente um dos elementos mais fortes da história.
“O Carlos está presente o tempo todo mesmo depois de morrer. Porque às vezes só percebemos verdadeiramente quem alguém era depois de o perdermos. E esta história fala muito sobre isso: sobre os segredos que guardamos, sobre aquilo que fica por dizer e sobre o impacto que uma pessoa pode continuar a ter mesmo depois de desaparecer.”
Apesar da forte componente romântica, Depois do Verão também mergulha em temas como saúde mental, preconceito, identidade, masculinidade e trauma emocional, algo que o autor considera essencial.
“Quis falar sobre o medo que muitas pessoas ainda sentem de assumir quem são. Sobre a pressão absurda para corresponder a determinadas imagens de masculinidade. Sobre a solidão masculina, que continua a ser muito ignorada. E também sobre a forma como muita gente acaba em caminhos perigosos apenas porque quer sentir que pertence a algum lugar.”
No final, o autor acredita que o livro é, acima de tudo, uma história sobre crescimento.
“Crescer raramente é simples. Amar dói. Perder dói. Descobrir verdades também dói. Mas viver é continuar apesar disso tudo. E acho que o Rúben percebe exatamente isso no fim da história: a vida nunca fica totalmente resolvida. O importante é continuar a avançar mesmo sem conseguir ver o caminho inteiro.”
E talvez seja precisamente por isso que a última ideia deixada pelo autor resume tão bem o espírito do romance: “Depois do Verão nunca foi uma história sobre finais felizes. Foi sempre sobre recomeços.”
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